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segunda-feira, 30 de março de 2015

A Psicanálise



A Psicanálise e a  interpretação  de Françoise Dolto

             Sou Psicanalista, leio sempre Françoise Dolto e o que vou lhes contar ocorreu na Maison Verte, instituição parisiense de acolhimento de crianças de zero a três anos, criada pela psicanalista, que é ícone da psicanálise dita infantil.

            Em uma tarde, um casal relativamente jovem chegou para a consulta com cara de desespero. Traziam um bebê nos braços, o qual aparentava uma fraqueza importante. Deveria ter uns três ou quatro meses de vida.

              Dolto, cheia de atenção vigilante e afetuosa, ficou sabendo dos pais que ao desespero diante da criança que não comia razão por estar esquálida, somava-se a preocupação com o desemprego do pai, a sobrecarga da mãe, e as contas que não fechavam no mês. Françoise Dolto se dirigiu diretamente ao bebê, sem qualquer atenção ao fator compreensão, e começou a  explicar, olhos nos olhos, que ela, Dolto, entendia muito bem que ele não quisesse comer, uma vez que sua chegada poderia ser pensada como em má hora, e que o melhor talvez fosse desaparecer. Contestou, no entanto, afirmando que ele estava enganado, pois sendo tão querido e esperado, sua morte precoce retiraria dos seus pais o único efetivo alento naquele momento difícil de vida. E assim se despediu dos três: filho, mãe e pai – marcando um retorno para a semana seguinte.

              No segundo encontro, eram outras pessoas que estavam ali. O bebê estava comendo, e bem. Ao final do atendimento, – como Lacan havia demonstrado no estádio do espelho... – ao falar com o bebê, ela estava realmente falando a seus pais que, por conseguinte, tinham mudado sua posição e possibilitado a alteração sintomática.

          Dolto afirmou então: – eu também conheço o ‘seu Lacan’ e bastante bem. Além de companheiros de toda uma vida, somos mesmo muito amigos. “Agora, que ele o diga com o espelho, é interessante, quanto a mim, digo e mostro – como se vê –os bebês compreendem e sabem falar”.
 



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