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domingo, 27 de janeiro de 2008

Solidariedade... ajuda a preservar a mente sã!

Possivelmente você já ouviu ao menos falar sobre os três tenores. O italiano Luciano Pavarotti, os espanhóis Plácido Domingo e José Carreras. O que talvez você não saiba é que Plácido Domingo é madrileno e José Carreras é catalão. E, há uma grande rivalidade entre madrilenos e catalães.
Plácido Domingo e Carreras não fugiram à regra. Em 1984, por questões políticas tornaram-se inimigos. Sempre muito requisitados em todo o mundo, ambos faziam constar em seus contratos que só se apresentariam se o desafeto não fosse convidado. Em 1987, Carreras ganhou um inimigo mais implacável. Foi surpreendido por um terrível diagnóstico de leucemia.
Submeteu-se a vários tratamentos, como auto-transplantes de medula óssea e trocas de sangue. Por isso, era obrigado a viajar mensalmente aos Estados Unidos. Claro que sem condições para trabalhar, e com alto custo das viagens e tratamento, logo sua razoável fortuna acabou. Sem condições financeiras para prosseguir o tratamento, Carreras tomou conhecimento de uma instituição em Madrid, denominada Fundação Hermosa.
Fora criada com a única finalidade de apoiar a recuperação de leucêmicos. Graças ao apoio dessa fundação, ele venceu a doença. E voltou a cantar.
Tornando a receber altos cachês, tratou de se associar a fundação. Foi então que, lendo os estatutos, descobriu que o fundador, maior colaborador e presidente era Plácido Domingo. Mais do que isso, descobiu que a Fundação fora criada em princípio para atender a ele, Carreras. E, que Plácido Domingo se mantinha no anonimato para não o constranger por ter que aceitar auxílio de um inimigo. Momento extraordinário, e muito comovente aconteceu durante uma apresentação de Plácido em Madrid. De forma imprevista, Carreras interrompeu o evento e se ajoelhou a seus pés. Pediu-lhe desculpas. Depois publicamente lhe agradeceu o benefício de seu restabelecimento. Mais tarde, quando concedia uma entrevista na capital espanhola, uma repórter perguntou a Plácido Domingo poque ele criara a Fundação Hermosa. Afinal, além de beneficiar um inimigo, ele concedera a oportun idade de reviver a um dos poucos artistas que poderiam lhe fazer alguma concorrência.
A resposta de Plácido foi curta e definitiva: " porque uma voz como essa não se podia perder."
Fazer o bem sem ostentação é um mérito. Ainda mais meritório é ocultar a mão que dá. Constitui grande marca de superioridade moral. A criatura mostra estar acima do comum da humanidade. Que essa história não caia no esquecimento. E, tanto quanto possível, nos sirva de inspiração e exemplo.
Quem me enviou a colaboração foi Patrícia Frade do grupo Phatae.

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