As postagens são feitas por nossa Comissão Científica. Podem ser próprias, adaptadas, transcritas de teóricos ou de sites científicos com publicações de novos estudos, e, teem a finalidade de informar e esclarecer alguns transtornos mentais. Não é diagnóstico final, portanto, procure o seu profissional ou o nosso espaço para maiores esclarecimentos em N. I./RJ com hora marcada: tel- 2669-7562 ou 9644-87280


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Doutora

Após 3 anos estudando dois casos clínicos de esquizofrenia e após o Mestrado com o mesmo tema, envolvendo abordagem clínica e diagnóstica, CID X e acompanhando a elaboração de CID XI, finalmente concluo meu trabalho. Feliz por isso!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Como se dá a análise? O Papel na Escuta

Retirei do Blog de Andreneide Dantas: O que melhor define nossa prática: a Escuta, que, desde Freud, tem possibilitado àquele que sofre, encontrar-se naquilo que diz. É através do discurso que o sujeito revela seus sintomas e só através da palavra pode livrar-se disto que o incomoda.
No início da análise as queixas referem-se à mãe, ao pai, patrões, namorados, filhos, maridos, falta de sorte, destino etc. Em alguns casos, a lista é enorme; chegam em posição de objetos, vítimas que nada têm a ver com o que lhes acontece e nada podem fazer a respeito da desordem em que se encontram, porque foram "colocados" neste lugar.
O trabalho do analista é mostrar ao analisando sua insubstituível colaboração para sair desta desordem. O analista escuta o discurso do paciente sem tentar compreender o que este fala, ao contrário, lê aquilo que escapa aos outros campos de discurso, trabalha com os lapsos, sonhos, interroga sobre os esquecimentos, lembranças e sintomas. Um ato falho, um lapso, podem falhar em relação à comunicação mas falam da verdade inconsciente.
Um sintoma sempre diz algo, mesmo em forma de enigma; mas poucos querem saber sobre as causas dos sintomas: porque adoeceram em determinado momento de suas vidas, porque não conseguem parar de comer em excesso, porque fracassam no trabalho, no namoro ou no casamento, não conseguem ter filhos, porque são dependentes químicos ou dependentes de alguém etc.
A análise possibilita ao sujeito descobrir acerca do desejo inconsciente que o mantém ligado aos sintomas. Quando faz esta descoberta, pode dar a si próprio um lugar diferente daquele que tinha antes de ser analisado. Assume que é responsável por seus sucessos mas também por seus fracassos.
Pode assim, organizar-se em seu discurso e encontrar o fio que permite sair do labirinto de seu próprio desejo. Trabalhamos com o desejo inconsciente que é território de descoberta. Muitos analisandos assustam-se quando descobrem que o que dizem ou deixam de dizer, tem conseqüências no corpo e em suas vidas.
Ocupamo-nos, especialmente com aquilo que "não anda" para o paciente, seus impedimentos, fracassos, doenças. E trabalhamos com cada sujeito em particular. Se cada indivíduo tem sua história, (seu lugar ao nascer - se foi desejado ou não- posição na cadeia familiar, irmãos) sua subjetividade, sua singularidade, analisamos cada caso como único, não existindo uma resposta coletiva ou ortopédica, nenhum tratamento massivo. Só falando no dispositivo analítico, de si, de sua história, cada um pode descobrir seu próprio desejo inconsciente.
Algumas pessoas questionam o tempo da sessão na análise lacaniana: é um tempo onde as sessões não são reguladas estritamente pelo relógio mas por um tempo lógico (ou ilógico) tempo do inconsciente, em que o analista escuta, interroga e pontua a fala do analisando podendo cortar a sessão no determinado momento em função do aparecimento de um representante do inconsciente (significante). Este momento é sempre inesperado, e o corte permite a continuidade do trabalho do inconsciente, possibilita que, mesmo fora da sessão o sujeito continue associando, fazendo suas descobertas.
Uma experiência de análise não é fácil de explicar, mas, para aqueles que pretendem saber sobre seu desejo, a análise é o caminho.
 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Imagem Anímica Pre-existente



      YUNG disse em relação aos arquétipos: "Na minha opinião é um grande equívoco supor que a alma do re­cém-nascido seja tabula rasa, como se não houvesse nada dentro dela. Na medida em que a criança vem ao mundo com o cérebro diferenciado. predeterminado pela hereditariedade e portanto individualizado, ela res­ponde aos estímulos sensoriais externos, não com quaisquer predisposi­ções, mas sim com predisposições específicas, que condicionam uma se-letívidade e organização da percepção que lhe são próprias (individuais). Tais predisposições são comprovadamente instintos herdados e pré-for-mações. Estas últimas são as condições apriorísticas e formais da aper­cepção, baseadas nos instintos. Sua presença imprime no mundo da cri­ança e do sonhador o timbre antropomórfico. Trata-se dos arquétipos que determinam os rumos da atividade da fantasia, produzindo desse modo nas imagens fantásticas dos sonhos infantis, bem como nos delírios es­quizofrênicos, surpreendentes paralelos mitológicos, como os que tam­bém encontramos de forma algo atenuada nas pessoas normais e neuróti­cas. Não se trata portanto de idéias herdadas, mas de suas possibilidades. Não se trata também de heranças individuais, mas gerais, como se pode verificar pela ocorrência universal dos arquétipos".
 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Reflexão / Meditação

Devemos recorrer sempre a nossa capacidade metacognitiva, que é a capacidade de mergulhar nos próprios pensamentos e acompanhá-los. Pois pode ser muito útil na hora de resgatar uma memória ou de aprender um idioma com mais facilidade. A capacidade de refletir sobre nossos pensamentos é uma característica fundamental, já que por meio delas identificamos nossas limitações e as compensamos.
Estudos revelam que que a precisão metacognitiva varia amplamente entre a população. Alguns parecem conhecer pouco sobre os próprios pensamentos, enquanto outros revelam grande capacidade de autoavaliação mental. Refletir sobre os nossos pensamentos é algo tão antigo quanto a civilização. Sigmund Freud trouxe a noção de que não nos conhecemos como acreditamos devido a falta de acesso consciente a grande parte da mente. Ele acreditava de que com certa investigação, porém, poderíamos descobrir as forças internas ocultas que guiam nossas escolhas e ações. "O processo psicanalítico, disse Freud: -Tem como objetivo que ao longo do tempo, a pessoa que se submete a análise, possa ampliar a compreensão do próprio funcionamento psíquico evitando  repetições que conduzam ao sofrimento psíquico".
Para melhorar a metacognição, além de fazer a análise, deve-se utilizar a técnica de meditação, pois ela aprimora o processo de julgar as próprias idéias; a prática provoca mudanças na estrutura, nas funções e na conexão do córtex pré-frontal anterior.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

PENSAR OU MATAR?





          Ao apostar que alguém consegue pensar antes de cometer um ato violento, a campanha “Conte até 10” torna-se paradoxal, pois propõe que o sujeito faça  justamente o que é irrealizável
No início de novembro, entrou em vigor a campanha “Conte até 10”, organizada pelo Conselho Nacional do Ministério Público em parceria com o Ministério da Justiça e o Conselho Nacional de Justiça. O objetivo é combater assassinatos por motivo fútil –  matar por uma briga, por ciúme, por discussão no trânsito, por homofobia, por intolerância religiosa, por racismo ou por vingança. É uma aposta na lógica da conscientização no que diz respeito a barrar o ato impensado.
A campanha considera, assim, o fato de contar até 10 como uma espécie de tempo para pensar a sua ação antes de colocá-la em ato. Perguntamo-nos: “Será a consciência capaz de barrar o ato criminoso?”
Freud já no início do século passado nos alertava para os limites da consciência em pleno movimento filosófico da primazia da consciência.
Mais tarde, o psicanalista Jacques Lacan contrapunha a máxima cartesiana “penso, logo existo” à afirmação de que “existimos onde não pensamos”.
Essa inversão aponta outra lógica, não da consciência, mas
do inconsciente. Assim, podemos considerar, ao invés de uma mera contagem, precisamos é calcular. Nesta matemática, temos que computar a existência do outro: “o outro como alteridade”. A agressividade advém do erro do cálculo. Quando o outro não faz parte do conjunto como um diferente de mim, dá-se a passagem ao ato. É uma relação mortífera na qual está ou eu, ou o outro. Tal qual Freud nos aponta em Totem e Tabu, do assassinato do pai da horda primeira, assim, a sociedade para não se auto exterminar precisou fazer funcionar o Simbólico. É através da palavra que os sujeitos constroem o tempo, tempo necessário de pausa entre o ato e o (diz) ato.
A campanha "Conte até 10" tem o seu valor: R$ 370 mil e a colaboração dos lutadores de MMA  Anderson Silva e Júnior Cigano e os judocas medalhistas olímpicos Sarah Menezes e Leandro Guilheiro. E pode funcionar como alerta. Mas ao buscar controlar o ato impensado, apostando que enquanto se conta, é possível pensar antes de atuar, torna-se paradoxal. O que a campanha propõe que o sujeito efetive, é justamente onde está o irrealizável para ele. Ao propor que o sujeito conte, o que se está querendo é que ele institua um “tempo simbólico” que irá barrar a passagem ao ato.
Mas, a questão do ato é esta: aquilo que o sujeito não consegue simbolizar – o que ele não consegue passar pela palavra, ele realiza no ato. Será que, ao darmos as “palavras” ao sujeito ele se apropriará destas, e, tal qual Ali Babá ao proferir “Abre-te Sésamo!”, conseguirá ultrapassar o desejo de matar e adentrar as profundezas de sua caverna, retornando com suas preciosidades? Será que contar até dez é suficiente?



Lisiane Fachinetto e Maralice Neves


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Síndrome de Asperger



Síndrome de Asperger
                  Pelo tom de voz ou expressão facial de alguém podemos saber ou desconfiar do seu estado de humor, a aparência de uma pessoa diz-nos bastante acerca da mesma, talvez onde vive, e o estatuto social a que pertence, a atividade profissional que exerce, etc. A incapacidade de formulação lógica de hipóteses a partir de sinais é então uma característica da Síndrome de Asperger, que leva a problemas de comunicação e interação social. Pode ser considerada como uma forma de autismo.
               As pessoas que sofrem da Síndrome de Asperger diferenciam-se dos autistas na medida que não tem problemas de linguagem tão acentuados e não demonstram tanta incapacidade ao nível da aprendizagem.
            Normalmente têm uma inteligência média ou até mesmo acima da média. Não têm grande limitação a nível profissional, se forem acompanhados em casa e em qualquer outro ambiente que explorem e podem progredir a nível escolar e mais tarde arranjar emprego.
           Os chamados “aspies” (pessoas afetadas com a Síndrome de Asperger), só mostram dificuldade na percepção de sinais e sentimentos sem verbalização dos mesmos, no que conta a relações com outras pessoas, porque ao contrário dos autistas “clássicos”, querem ser sociáveis e apreciam o contacto humano. Falam fluentemente, mas parece não ter em conta as reações das pessoas com quem falam, podendo assim falar sem parar, sendo objetivos e não mudando de assunto independentemente do interesse mostrado pelo ouvinte, parecendo também insensíveis aos seus sentimentos. Tem dificuldade na compreensão de metáforas, anedotas, entoações, provérbios, entre outros, e por isso tudo que lêem compreendem de forma literal, falando com pouca entoação.
          Para ajudarmos um aspie a compreender o que diz, devemos tentar manter uma conversa com frases curtas, objetivas e concisas.
             Os aspies geralmente desenvolvem interesses por determinados assuntos que podem evoluir à medida que crescem e lhes despertam sempre a atenção. Estes interesses normalmente envolvem a memorização ou ordenação de fatos sobre um assunto. Além disto, os aspies não gostam de alterações nem mudanças repentinas, impondo rotinas e ficando nervosos com modificações.




               A Síndrome de Asperger é uma doença sem cura.

Segundo alguns estudiosos, grandes personalidades, como Albert Einstein, Michelangelo, Stanley Kubrick e Andy Warhol possuíam fortes traços da síndrome.