segunda-feira, 7 de março de 2016
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
A Psicanálise E As Datas Comemorativas
Dia dos Namorados, Dia das Mães, Dia das Crianças, Natal...
Além dos sistemas de medição da passagem do tempo, seja lunar ou solar, adotado pelas mais variadas culturas seculares, o indivíduo comum era alertado pelas evidências da natureza, quanto à chegada, por exemplos, da primavera, do inverno, enfim, momentos de mudanças, cuja ansiedade era aplacada com rituais religiosos.
Uma vasta gama de datas comemorativas que são
destacadas insistentemente pelos meios de comunicação e que podem catalisar
emoções, lembranças, desejos, frustrações, razão pela qual, devem ser levadas a
sério na Terapia.
“A humanidade desenvolveu CALENDÁRIOS como uma
tentativa de compreender, prever e até conquistar o TEMPO e, assim,
acalmar boa parte de nossos temores quanto a este conceito que parece fluir em
constante fuga, sendo a distância entre a causa e o efeito de tudo que
presenciamos. Estabelecer e seguir um calendário é adquirir a sensação de
segurança, de integrar-se ao ritmo do Universo e esta iniciativa é milenar e
comum a todas as culturas. …”
Além dos sistemas de medição da passagem do tempo, seja lunar ou solar, adotado pelas mais variadas culturas seculares, o indivíduo comum era alertado pelas evidências da natureza, quanto à chegada, por exemplos, da primavera, do inverno, enfim, momentos de mudanças, cuja ansiedade era aplacada com rituais religiosos.
Nos dias de hoje, perdeu-se boa parte da percepção da
passagem dos ciclos pela observação da natureza; porém, os meios de comunicação
suprem esta tarefa (quem sabe, em demasia...) de lembrar a todos os rituais de
cada período, geralmente por razões comerciais/mercantilistas e não mais por
motivações religiosas.
Para ilustrar: o mês de Junho, no hemisfério norte, é o
período do solstício de verão e, como o nome sugere, na mitologia grego-romanas,
era dedicado à deusa Juno (Hera...), em especial ao seu aspecto de defensora
das relações amorosas, casamentos e fidelidade. Com o advento da igreja
católica, em sua estratégia de incorporar os cultos já existentes, versando-os
aos seus interesses, os atributos da deusa Juno foram distribuídos a vários
santos “casamenteiros”: sendo São João e Santo Antônio, os mais populares no
Brasil e celebrados neste mesmo período. Tamanha é a popularidade destes ritos
em nosso país, que, ao “importarem” a data comemorativa do Dia Dos Namorados,
alteraram a data para coincidir com a véspera da homenagem a Santo Antônio. Este
feito é atribuído ao comerciante e publicitário João Dória, que investiu na
idéia por 10 anos seguidos, antes de sua consagração na sociedade brasileira.
A interferência dos
meios de comunicação também pesa na história do chamado Dia das Mães. Em todas
as culturas antigas, a maternidade era celebrada nos ritos da Primavera, como
era o caso da deusa Rhea, esposa de Cronus e mãe de Zeus. No cristianismo,
associou-se à imagem de Maria. Na modernidade, pesou a história da americana
Anna Jarvis, que organizou com grupo de amigas, homenagem à própria mãe
falecida, sensibilizando a sociedade a tal ponto que, em 1914, o presidente
formalizou a data de 9 de maio para todo o país. Por influência americana,
cerca de 40 países adotaram a idéia; no Brasil, foi introduzida pela Associação
Cristã de Moços (ACM) em 1918 e, em 1932, foi oficializada pelo presidente
Getúlio Vargas, como sendo o 2o domingo de maio.
Seja lembrados pela
Natureza, seja pelos veículos de comunicação (especialmente estes, nos dias de
hoje...), fato é que sentimentos e desejos são despertos, estimulados pelas
datas comemorativas.
No citado texto
“Obrigação de Ser Feliz”, tecemos considerações sobre o efeito das propagandas
que, praticamente “exigem” felicidade de todos, mesmo que não seja este o
momento do indivíduo e o quanto isto pode induzir a mascarar os sentimentos.
O mesmo poder de
“cobrança” pode ser acionado nas demais datas comemorativas. Toda a mídia
expondo casais felizes e sensuais no Dia dos Namorados pode ampliar a
frustração de quem não goza destes privilégios, ou aumentar a auto-ilusão
naqueles que não estão em condições de analisar profundamente a relação em que
vivem.... Publicidades do Dia das Mães chegam a (ab)usar até do sentimento de
culpa, ressaltando o quanto cada um deve à pessoa que lhes deu a própria vida e
que o presente deve ter valor proporcional a tamanha dádiva impagável... E
quanto àqueles que perderam estes entes queridos, sendo relembrados de sua dor
a cada capa de revista lida, a cada comercial na televisão, ou nas rádios...
Enfim, como profissionais
da Psicoterapia: Psicólogos e Psicanalistas, devemos conhecer as datas
comemorativas, bem como suas origens e o quanto podem influenciar o momento de
nossos Clientes/Pacientes, para que prestemos ainda mais atenção e assistência
quanto aos temas reforçadamente lembrados nestes períodos.
Texto adaptado por Jane
Sabino da Revista de Terapia Holística doSINTE
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